Visitas desde
08/09/2009

Autoria (menu e site):
Maria Nazarete de Barros Andrade
Coordenadora do Museu e Capela
 
O Museu
História do Museu
Alterar o tamanho da fonte

BREVE RELATO DOS 10 ANOS DO MUSEU

HISTÓRICO DO MUSEU
O SÍMBOLO DA MEDICINA
(variações sobre artigo do Professor Joffre M. de Rezende)
HISTÓRIAS E ESTÓRIAS DOS LOGOTIPOS DA
FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA SANTA CASA DE SÃO PAULO E DE SEUS CURSOS (Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia)
Fundada na pequena vila de São Paulo por volta de 1560, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo acompanhou o fantástico desenvolvimento de nossa cidade, sendo considerada atualmente a maior do mundo.
Hoje, completando mais de 400 anos de vida, a história de nossa Irmandade é muito extensa; mas apenas para fazer justiça e homenagear os que a construíram, nosso Museu guarda e cultua documentos que visam uma parte desse esforço hercúleo.
 

MUSEU DA IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO

Texto de João Alves das Neves (*)

Em 06 de junho do ano 2000 às 14:00hs, na gestão do Provedor Dr. Octavio de Mesquita Sampaio, foi o Engº Augusto Carlos Ferreira Velloso designado Mordomo do Museu, tendo iniciado a reunião do acervo, hoje construído por cerca de 5 mil peças. Era Vice-Mordomo o Dr. Luiz Rodrigues de Moraes, que com a Coordenadora Dona Maria Nazarete de Barros Andrade, deram início a coleção museológica. Inaugurado em 21 de Março de 2001, o Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, reúne peças não só relacionadas com a atividade médico-hospitalar, mas também com a participação dos paulistas na construção e desenvolvimento da entidade, isto é, aqueles que fizeram doações para aumentar e atualizar paralelamente os mais diferentes serviços de ordem social e administrativa, histórica, cultural e artística.

Não havendo documentação que testemunhe o dia em que nasceu a instituição, sabe-se, porém, que foi fundada antes de 1560, sob a égide da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Portanto, é uma das mais antigas associações da povoação fundada em 25 de Janeiro de 1554 pelo Padre Manuel da Nóbrega e por outros religiosos da Companhia de Jesus, entre os quais teve papel relevante o Padre José de Anchieta. E por isto não há dúvida de que acompanhou a evolução da cidade bandeirante que se tornou a maior de Língua Portuguesa no Mundo.

Evidentemente, o Museu da Santa Casa não pôde reunir toda a documentação que ilustra o desenvolvimento da entidade - a mais ampla Misericórdia de todo o mundo - congregando cerca de 900 unidades, se incluirmos perto de 400 em Portugal e quase 500 no Brasil. Seja como for, este original Museu paulista identifica centenas de edificadores da obra que teve o Capitão-Mór D. Simão de Toledo Piza, entre os seus principais impulsionadores.

Apar de objetos de uso comum e até de centenares de instrumentos de particular interesse médico-científico, há que relevar mais de uma centena de retratos, numerosos dos quais sugerem a maior validade artística, quer se trate de esculturas, quer de pinturas e de peças decorativas representativas de várias civilizações antigas e de diferentes épocas, até chegar ao nosso tempo.

Merecem realce as obras de sentido histórico representando os edifícios das Misericórdias do passado e do presente ou os médicos que fizeram da Santa Casa

Paulistana uma das mais ativas do País. São dezenas as personagens retratadas no bronze ou na pintura, e muitas delas estão ligadas não só à Medicina mas igualmen- te à História de São Paulo e do País, como são os casos do professor Arnaldo Vieira de Carvalho e dos médicos Caetano de Campos, Diogo Teixeira de Farias, Enjoras Vampré, José Celestino Bourroul, Synesio Rangel Pestana, José Ayres Netto, Luís Pereira Barreto e outros médicos e professores que muito prestigiaram a Santa Casa.

Os grandes beneméritos têm merecido destaque nas diversas salas museológi-

cas: foram “gente d’algo”, como antigamente se dizia, que deixaram bom nome na expansão da metrópole e que trabalharam nos setores do comércio, da indústria e da

agricultura ou que exerceram profissões liberais, todos unidos na singular obra assis-tencial fundada em Lisboa pela Rainha D. Leonor de Lancastre no ano de 1498 e que depois se espalhou pelo mundo de fala portuguesa.

Outra referência indispensável deve ser feita ao acervo de arte, sem omitir o espírito religioso que sempre orientou as Santas Casas, bem como as esculturas clássicas (mais de 20!). Quanto aos trabalhos dos 54 “Pintores da Pinacoteca” somam algumas dezenas (Oscar Pereira da Silva assina 24 e 37 são de ”Augustus”/Augusto Mendes da Silva!), indicando-se por acréscimo os nomes de artistas prestigiosos: Almeida Junior, Oscar Pereira da Silva, Benedito Calixto, Gino Catani, Pedro Alexandrino, Ernesto Papf e outros. Nem faltam nesta coleção alguns modernistas, figurando ainda telas de C. Genaro, D. Ismailovitch, Tarsila do Amaral, Castellano, um painel artístico de Anita Malfati e outros 3 de Aldo Bonadei, um painel de Volpi e um pintura sobre pastilhas de Flexor, encontram-se no Hospital São Luiz Gonzaga.

Os artistas plásticos brasileiros constituem a maioria, mas há também italianos, portugueses e provavelmente de outros países. E uma nota curiosa: há uns dois anos pediu-nos a diretora do Museu José Malhoa (das Caldas da Rainha, Portugal) que localizasse as obras no Brasil do escultor Pinto do Couto e Galileo Emendabili mas de bem poucas pudemos informar - só conheciamos raros trabalhos que deixou neste País, ressaltando o excelente busto de mármore que fez de Luís de Camões e que se encontra no Clube Português de São Paulo, embora saibamos de outros. Pois bem: na pinacoteca da Santa Casa paulista descobrimos agora os 2 bustos que ele esculpiu do Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho e mais 2 do Dr. Diogo Teixeira de Farias.

Não nos foi possível aprofundar a pesquisa, limitando-nos a estabelecer a mera relação de certos painéis, de óleos e de esculturas, mas bastam as citações para justificar que o Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo guarda um acer-vo que merece a visita de críticos e estudiosos das artes plásticas do Brasil.

Além dos doadores de pinturas, esculturas e de outras obras artísticas, há que chamar a atenção para a valiosa galeria de arte ainda tão mal conhecida, e que, por

conseguinte, deve ser estudada pelos especialistas. No mínimo, eles não podem ignorar esta grande coleção artística, que foi reunida com as ofertas dos amigos da Santa Casa, graças aos esforços de numerosos abnegados e, sobretudo, ao bom gosto do Mordomo do Museu Engº Augusto Carlos Ferreira Velloso, Dr. Luís Rodrigues de Moraes –, que nesta tão louvável iniciativa tem contado com a assistência de D. Maria Nazarete de Barros Andrade que muito cuidadosamente resgata peças recicladas e que restaura, organiza e coordena o acervo.

A “Roda”, a Farmácia e a Ortopedia

Algumas atividades da Santa Casa de Misericórdia de merecem um capítulo à-parte, em virtude da importância de que se revestem por suas conotações históricas, culturais e médico-hospitalares de São Paulo e do Brasil.

Começamos por assinalar a “Roda dos Expostos ou Excluídos”, de origem italiana ou portuguesa, que terá sido instalada no Rio de Janeiro , seguindo-se as da Bahia e de São Paulo, onde funcionou desde 2 de Julho de 1825 até 5 de Junho de 1950. A Roda de São Paulo, está hoje no Museu da Santa Casa paulistana trata-se de uma autêntica “roda”, de forma cilíndrica, que girava sobre um eixo: a criança era colocada no cilindro, que rodava para dentro. O entregador tocava uma campainha e uma das caridosas freiras vinha recolher o bebê e providenciava a sua internação, lavando-a e alimentando-a - em resumo, o menino ou a menina eram criados pelas religiosas, até que, na idade adequada, a criança era confiada ao Asylo Sampaio Viana, que ficava no Pacaembu, e posteriormente encaminhada ao Colégio de São José, mantido pela Santa Casa. Depois de alfabetização, o exposto aprendia uma profissão, aprendiam a falar em francês e latim, até que pudesse viver do seu trabalho.

Alguns meninos ou meninas, educados tão cristãmente, conseguiram chegar à Universidade e muitos deles ocuparam situações profissionais de alto nível na sociedade. Era humilde e desconhecida a sua origem, a infância e a adolescência ficou registrada apenas nos seus cadernos escolares, o que reforça ainda mais o sentido social da obra verdadeiramente misericordiosa. O mundo evoluiu, a “roda” pertence ao passado, mas aqueles que a serviram revelaram-se bem mais solidários com as crianças do tempo do que certos que hoje trabalham nas instituições oficiais com a

obrigação de cuidar dos meninos e meninas abandonados.

Entre as histórias que mais parecem contos de fada do que as realidades de ontem, a histórias da “roda” ainda são por vezes lembradas por aqueles que as escutaram de seus pais e avós – e por este modo se explica que a roda dos expostos seja uma das “ peças” que maior curiosidade despertam entre os visitantes do Museu da Santa Casa Bandeirante.

Outra atração da entidade é a da área da Farmácia, cujas obras são guardadas nas salas da Farmácia, nas quais podem reencontrar-se, entre outras, um antigo alambique de cobre, que servia para distilar água, assim como uma balança inglesa usada para pesar materiais raros indicados para determinados tratamentos. Há igualmente potes de belas formas, frascos coloridos de cristal, sem falar dos livros antigos, um dos quais intitulado Formulário e Guia para Médicos, compilado pelos Jesuítas e publicado em 1831, com a relação dos medicamentos usados pelos índios.

Indica-se por acréscimo o Primeiro Tratado de Medicina, de João Cardoso de Miranda, publicado na cidade do Porto em 1831.

Outro livro interessante é o Formulário para o serviço da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, editado em 1915 e organizado pelo Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho (ao tempo diretor clinico da instituição) e pelo farmacêutico João Meira de Vasconcelos. E refere-se ainda o primeiro Formulário de Medicamentos (com 999 itens) sobre poções, infusões, etc., de 1906, e o Regulamento para o serviço de Pharmácia do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e que em 1907 foram os 2 volumes do Dicionário de Medicina Popular das Sciencias Acessórias, da autoria de Pedro Luiz Napoleão Czerniewiecz, médico polonês que se formou na França.

Todo este acervo histórico farmacêutico encontra-se no acervo do Museu, no Pavilhão Fernandinho Simonsen - Ortopedia, onde estão igualmente instrumentos cirúrgicos e documentos que pertenceram ao mèdico e Professor Dr. Waldemar de Carvalho Pinto, que foi Provedor da Santa Casa de São Paulo e de outros médicos que são testemunhos relacionados com a História da Medicina Brasileira.

Finalmente, observa-se que no Pavilhão Fernandinho Simonsen guardam-se outros instrumentos de interesse médico e histórico, como é o caso das peças ortopédicas, resgatadas com patrimônio científico, médico e hospitalar.

Outro destaque imprescindível é a menção de que o hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foi um dos principais entre aqueles que mais ajudaram os

heróis feridos nas batalhas de 1932 a recuperar-se para a Pátria e para a vida.

Faz-se este simples registro, que não passa de mera enumeração dos milhares de instrumentos e documentos cuja análise deve ser feita por quem venha a fazer, um

dia, a História da Medicina e dos Hospitais do Brasil.

---------------------------------------

(*) Escritor, jornalista e professor universitário, autor de mais de duas dezenas de livros de temática luso-brasileira, incluindo 7 obras sobre Fernando Pessoa.


O que foi a "Roda dos Expostos"?
A célebre “Roda dos Expostos” é a peça que maior curiosidade desperta, mas também os documentos e registros dos mais de 400 anos de vida da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Possuindo ainda um bom conjunto de objetos e documentos relativos a Revolução Constitucionalista de 1932, pois com seu término foi destinado ã Santa Casa parte da sobra do ouro doado ã revolução paulista que viabilizou a ampliação de ambulatórios e enfermarias.

Cilindro oco, girando em torno do seu próprio eixo apresentando em uma das faces uma abertura que ficava voltada para a Rua Dona Veridiana; destinava-se a receber crianças enjeitadas. Foi criada por Lucas A. Monteiro de Barros - Visconde de Congonhas do Campo – 1º Governador de São Paulo - a 2 de julho de 1825 no hospital da Misericórdia (Chácara dos Ingleses).

Pelo que consta, a “Roda” começou na Itália, sendo depois adotada por inúmeros países, inclusive Portugal e Brasil.

No Brasil, a primeira “Roda” surgiu em 1730 no Rio de Janeiro e estava colocada no Asilo de Expostos, existindo, posteriormente, na Bahia e em São Paulo.

Colocava-se a criança no interior desse cilindro; este era girado de 180 graus, passando, então, a abertura do cilindro para o interior do prédio. O entregador tocava uma campainha que soava no dormitório das freiras e uma delas, então, recolhia a criança, providenciando sua internação. A mortalidade era bastante alta (cerca de 30%) entre as crianças rejeitadas.

As crianças colocadas na "Roda” eram alimentadas, assistidas e até instruídas para serem liberadas somente depois de estarem aptas a enfrentar a vida. Muitas crianças passaram sua infância no Asylo Sampaio Viana no Pacaembu e, ao atingir a idade escolar, iam para o Colégio São José no qual, além de alfabetizados, os alunos aprendiam uma profissão e, ao deixarem, o mesmo, estavam aptos a ganharem seu sustento.

Com a modificação das organizações de Assistência Social, a “Roda” tornou-se obsoleta. O debate sobre sua extinção, na Santa Casa de São Paulo, começou em 9 de abril de 1944, proposta pelo então Provedor, Dr. José Cássio de Macedo Soares. Após mais de 5 anos de debates, a comissão nomeada para estudar o caso apresentou extenso relatório no qual, entre outros fatos, informava que a Santa Casa de São Paulo era a única instituição, no Brasil, que mantinha a “Roda”, taxando-a “como antiquado regime incompatível com o regime social da nova era”. Deixou de existir em 5 de junho de 1949.

A “Roda” encontra-se atualmente no Museu da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, assim como cadernos e trabalhos manuais atestando toda grandiosidade do acolhimento dado aos enjeitados. O Museu possui cerca de 2500 objetos, entre quadros , aparelhos médicos, móveis, esculturas, pratarias e documentos.


AS IRMÃS DE SÃO JOSÉ DE CHAMBERY NA SANTA CASA DE SÃO PAULO

 

Fotografia das Irmãs de São José da Santa Casa de Misericórdia
de São Paulo – ano de 1898

As Irmãs de São José e a Santa Casa de São Paulo

A Congregação das Irmãs de São José de Chambery foi fundada em Puy, na França em 15 de outubro de 1650, pelo Pe. Jean Pierre Medaille, sacerdote jesuíta.

Em 1858 as Irmãs chegaram em Itu, Estado de São Paulo para assumirem a Santa Casa de Misericórdia e abriram o primeiro Colégio Feminino no Estado de São Paulo.

Em 1872, o Dr. Antonio da Silva Prado, Barão de Iguape, era então o provedor da Santa Casa de Misericórdia. O hospital estava atravessando uma fase difícil, quer por falta de pessoal habilitado ao trato de doentes, quer pela deficiente organização dos serviços que deveria prestar. Diante desta dificuldade pediu a vinda, da França, das Irmãs de São José de Chambéry. O próprio Barão de Iguape custeou pessoalmente a viagem das cinco primeiras Irmãs da França que aqui chegaram e a elas foram confiados os pacientes a quem serviam como enfermeiras, na escrituração do hospital, na preparação das receitas e no cuidado com as refeições.

Já em 1875, Dr. Caetano de Campos, médico, diretor-clínico e Irmão da Mesa Administrativa da Irmandade da Santa Casa, se expressou a respeito das Irmãs: “ Devemos às Irmãs de Caridade, em grande parte o estado brilhante do nosso hospital pelo seu zelo aos pacientes e eficientes administradoras.”

Em 5 de Março de 1945 a Escola de Enfermagem São José foi fundada pela Irmã Maria Gabriela Nogueira, sendo as Irmãs de São José as primeiras professoras. A Escola de Ciências Médicas da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo iniciou suas atividades em 1963.

Texto: Irmã Lurdes - Irmãs de São José de Chamberry

ASYLO DOS EXPOSTOS SAMPAIO VIANNA

Fachada do Asylo dos Expostos (1896)


Reprodução fotográfica de Emidio Luisi – Asylo dos Expostos


Meninos em roda no gramado do Asylo Sampaio Vianna
Sem data e sem autoria


Meninos rezando no Asylo dos Expostos
Sem data e sem autoria

O Asylo Sampaio Vianna ou Asylo dos Expostos

O abandono de crianças é uma prática impossível de precisar seu início. O Asylo Sampaio Vianna começou a funcionar em 02 de Julho de 1896, foi o último dos locais que abrigaram as crianças que eram abandonadas na Roda dos Expostos do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Situado em uma chácara no Pacaembu, o terreno foi deixado de herança para a Santa Casa de São Paulo pelo Sr. João Floriano Wanderley em Janeiro do mesmo ano.

No Asilo, as crianças entravam a partir dos 03 anos e eram assistidas pelas freiras que lhes davam carinho, ensino religioso, o francês e disciplina. Antes de completar esta idade, os bebês pertenciam a Seção de Lactantes que ficava no Hospital Central da Santa Casa. A Santa Casa pagava às Amas de leite cerca de 30 mil Reis mensais, se por ventura as Amas se apegassem à criança e quisessem cria-la, a Santa Casa oferecia um dote a essas mulheres.

A educação escolar era provida pelos externatos da Irmandade: o Colégio São José destinado às meninas e o Colégio Sant’Anna destinado aos meninos. Sendo que muitas das freiras cumpriam o papel de professoras.

Em 1904, a Mesa Administrativa da Santa Casa transfere às Irmãs de São José de Chambéry o controle administrativo do local, entre as Superioras está a Madre Joanna Philomena que ficou no cargo entre 1904 e 1917, ano de sua morte e que em homenagem diante do serviço prestado de intensa dedicação às crianças, recebeu no Cemitério da Consolação um Mausoléu em Memória à Irmandade.

Hoje, no Museu da Santa Casa, há alguns depoimentos de homens e mulheres que foram crianças de “Roda”, muitas delas cursaram a universidade e tiveram uma vida plena e feliz. O Asylo Sampaio Vianna ou Asilo dos Expostos está desativado e seu terreno é tombado pelo patrimônio histórico.
  
Fonte: CARNEIRO, Glauco. O Poder da Misericórdia: A Santa Casa na história de São Paulo. VOL. II - Ascensão e queda do liberalismo, São Paulo, 1986
MESGRAVIS, Laima.A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1599? – 1884) – Coleção Ciências Humanas VOL.III, Conselho Estadual de Cultura, São Paulo, SP, 1976


O SÍMBOLO DA IRMANDADE DA SANTA CASA DE SÃO PAULO

 

INTERPRETAÇÃO DO EMBLEMA DA
IRMANDADE DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO
Download do Histórico


Distintivo com Emblema da ISCSP
usados pelos Irmãos Mesários


Brasão da ISCMSP

O Brasão da Santa Casa de São Paulo e seu significado

O Professor Décio Cassiani Altimari, Coordenador de Extensão e Cultura da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, esclarece as dúvidas sobre o significado do brasão desta Instituição em seu estudo, “Histórias e Estórias dos Logotipos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e de seus cursos (Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia)”:

Sobre ele e sobre o significado de seu conteúdo, já ouvi as mais diversas (e freqüentemente erradas) interpretações. Lançando mão da linguagem heráldica, descrevo que ele:
“Emoldura-se por escudo oval circundados por dois filetes paralelos que encerram cordão de contas, abrigando essa moldura um brasão retangular cuja base inferior termina em ponta. No brasão, centra-se cruz latina; a cruz e o seu suporte dividem o brasão em três partes, uma à direita, uma à esquerda, e a última sob a cruz; nas partes à direita e à esquerda notam-se duas letras ‘X’; na parte sob a cruz nota-se a letra ‘M’. O brasão tem ao longo de seus dois lados laterais e inferiores ornamentos barrocos, e é encimado por coroa real.”

Interpretando:
A cruz no brasão faz entender a presença da religião cristã (no caso, católica) no Planalto de Piratininga, que é representado pela linha que sustenta e eleva a citada cruz, sendo que o restante desta linha procura representar o perfil de uma montanha (a linha toda, pois, desenha o Planalto onde se alevantou a primitiva Vila de São Paulo, onde uma Confraria da Misericórdia deve ter existido logo após a sua fundação em 1554);
Os dois pares de letra “X”, na realidade, são duas letras “V”, sobrepostas e contrapostas, formando as letras “A” e “V”, abreviação da palavra “AVE”;
A letra “M” reporta aos nomes “Maria” e/ou “Misericórdia” e, por extensão, à Maria (Nossa Senhora) da Misericórdia;
A Coroa que encima o brasão não só faz alusão à coroa portuguesa (sob cuja égide a primeira Misericórdia foi criada em Lisboa, em 1498, pela Rainha Dona Leonor de Lancaster e seu Confessor, Frei Miguel de Contreras), como ao reinado da padroeira, Nossa Senhora da Misericórdia (tal como se diz, na oração: “ Salve Rainha, Mãe Misericórdia...”)
Assim, e, portanto, frente ao brasão, estar-se-á dizendo:
“Ave, Maria, Salve Rainha, Mãe da Misericórdia”



OS PRIMEIROS DIRETORES CLÍNICOS

NOME

PERÍODO EM QUE VIVEU

CONTRIBUIÇÕES

Prof. Dr. Caetano de Campos

A primeira nomeação de médico, documentada, para o hospital Rua da Glória, deu-se em fins de 1871, assumindo o cargo o Prof. Dr. Antonio Caetano de Campos, no dia 1º de janeiro de 1872.
Pintor: Augustus, 1977
Acervo Museu da Sta Casa de São Paulo

1867-1891

Natural de São João da Barra, RJ, Médico formado pela faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
Durante 18 meses serviu como Cirurgião da Armada na Guerra do Paraguai, deixando o serviço por ter sido atacado por beribéri.
Retornando à Corte no Rio de Janeiro, casou-se com D. Maria Julia de Souza e Silva.
Prestou concurso para lente (professor) da faculdade de medicina do Rio de Janeiro, sendo classificado em 1º lugar; apesar disso foi preterido por ser muito moço a apenas Tenente Cirurgião da Armada, portanto oficial subalterno.
Em conseqüência disso veio para São Paulo.
Médico-cirurgião da Santa Casa, nomeado Mordomo do Hospital e em 1875 foi o Diretor Médico da Santa Casa. Foi Também Secretário da Educação do Estado de São Paulo, cargo em que muito se destacou.
(in: CARNEIRO, Glauco. “O Poder da misericórdia”. Editora Press Graffic editora e gráfica ltda. São Paulo, SP, 1986. pg 935)

Prof. Dr. Carlos José Botelho

Retrato nº29 – Prof. Dr. Carlos José Botelho
Pintor: De Servi, sem data
Óleo sobre tela
Acervo da Pinacoteca do Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

1855-1947

No ano de 1855 na cidade de Piracicaba, nasce Carlos José Botelho para se tornar grande médico e empreendedor da saúde publica e do progresso na cidade de São Paulo. Formou-se médico na França e trouxe seus conhecimentos à cidade de São Paulo, onde no bairro do Brás montou a equipada clínica “Casa de Saúde Dr. Botelho”, foi também o primeiro Diretor-Clínico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e co-fundador da Policlínica de São Paulo. Sua atuação não se manteve somente no campo da medicina, figurando também na política, foi Senador e secretário de Estado em São Paulo, sendo responsável por projetos como o saneamento da cidade de Santos, a fundação da Escola Agrícola em Piracicaba, do Jardim da Aclimação e do Zoológico de São Paulo. “Ler, aprender e ensinar, sem distinção de classe” Este foi o lema da vida do grande médico e político que morreu aos 92 anos na cidade de São Carlos, em sua propriedade agrícola.

 

Prof. Dr. Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho

Prof. Dr. Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho
Pintor: Oscar pereira da Silva, 1907
Óleo sobre tela
Acervo da Pinacoteca do Museu da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

1867-1920

Nascido em 1867 na cidade de Campinas no  Estado de São Paulo, Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho foi um importantíssimo médico para a história da Santa Casa e principalmente para a evolução dos estudos de medicina na cidade de São Paulo.
Formou-se médico no ano de 1888 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ocupou o cargo de Diretor-Clínico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo entre os anos de 1897 e 1920, onde fora considerado um cirurgião de destaque, praticando pela primeira vez no país a gastrectomia, e sendo conhecido pela sua rapidez, perspicácia e inteligência. Convidado pelo então governador Rodrigues Alves a fundar a primeira Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, fora nomeado ao cargo de primeiro Diretor em 1913 e de Professor Catedrático da Clinica Ginecológica, cargo que ocupou de 1918 a 1920. A faculdade teve então como primeiro endereço, um pequeno prédio na Rua Brigadeiro Tobias, e usufruía algumas salas do prédio da Escola Politécnica e da Escola de comércio Álvares Penteado, tendo sido a Santa Casa a sede do ensino clínico de 1916 a 1947. Ocupou também o cargo de chefia do Instituto Vacinogênico e foi o fundador da Sociedade de Medicina e cirurgia de São Paulo, hoje Academia de Medicina. Devido a uma infecção na garganta, morre precocemente aos 53 anos no dia 05 de junho de 1920, deixando um legado eterno aos futuros médicos do país.
Em 5 de novembro de 1929 foi fundado o Instituto Arnaldo Vieira de Carvalho, uma instituição destinada ao estudo do câncer. Uma homenagem póstuma ao grande médico, idealizador do projeto, porém que não pode vê-lo concretizado durante vida.