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Cilindro oco, girando em torno do seu próprio eixo apresentando
em uma das faces uma abertura que ficava voltada para a Rua Dona
Veridiana; destinava-se a receber crianças enjeitadas. Foi
criada por Lucas A. Monteiro de Barros - Visconde de Congonhas do
Campo – 1º Governador de São Paulo - a 2 de julho
de 1825 no hospital da Misericórdia (Chácara dos Ingleses).
Pelo
que consta, a “Roda” começou na Itália,
sendo depois adotada por inúmeros países, inclusive
Portugal e Brasil.
No
Brasil, a primeira “Roda” surgiu em 1730 no Rio de Janeiro
e estava colocada no Asilo de Expostos, existindo, posteriormente,
na Bahia e em São Paulo.
Colocava-se
a criança no interior desse cilindro; este era girado de
180 graus, passando, então, a abertura do cilindro para o
interior do prédio. O entregador tocava uma campainha que
soava no dormitório das freiras e uma delas, então,
recolhia a criança, providenciando sua internação.
A mortalidade era bastante alta ( cerca de 30% ) entre as crianças
rejeitadas.
As
crianças colocadas na "Roda” eram alimentadas,
assistidas e até instruídas para serem liberadas somente
depois de estarem aptas a enfrentar a vida. Muitas crianças
passaram sua infância no Asilo Sampaio Viana no Pacaembu e,
ao atingir a idade escolar, iam para o Colégio São
José no qual, além de alfabetizados, os alunos aprendiam
uma profissão e, ao deixarem, o mesmo, estavam aptos a ganharem
seu sustento.
Com
a modificação das organizações de Assistência
Social, a “Roda” tornou-se obsoleta. O debate sobre
sua extinção, na Santa Casa de São Paulo, começou
em 9 de abril de 1944, proposta pelo então Provedor, Dr.
José Cássio de Macedo Soares. Após mais de
5 anos de debates, a comissão nomeada para estudar o caso
apresentou extenso relatório no qual, entre outros fatos,
informava que a Santa Casa de São Paulo era a única
instituição, no Brasil, que mantinha a “Roda”,
taxando-a “como antiquado regime incompatível com o
regime social da nova era”. Deixou de existir em 5 de junho
de 1949.
A “Roda”
encontra-se atualmente no Museu da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia
de São Paulo, assim como cadernos e trabalhos manuais atestando
toda grandiosidade do acolhimento dado aos enjeitados.
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